T E X T O S

Até Onde Vai o Extenso

Paula Ramos

Como elaborar o luto pelo falecimento de um ente querido? A pergunta não tem pretensões retóricas, e todos nós sabemos que, mais cedo ou mais tarde, seremos chamados a fazê-lo. Processo de reconstrução e reorganização diante da morte, o luto constitui um desafio emocional e cognitivo, com o qual o enlutado precisa lidar. Em Até onde vai o extenso, Dirnei Prates nos oferece imagens que, em grande medida, representam a sua forma de purgar a perda. Silenciosas, elas condensam percepções sobre a fluidez, a passagem do tempo, os ciclos da vida, a transitoriedade.

A Fotografia Contemporânea e Seus Compartilhamentos Pictóricos: Antinomias e Convergências

Niura Ribeiro

Os compartilhamentos entre fotografia e pintura na arte contemporânea podem apresentar ao menos dois regimes fundacionais para os processos de criação de obras: propor antinomias como descontinuidades entre os conteúdos da representação de imagem e as narrativas verbais a ela associadas, procurando colocá-los em tensão, ou, por outro lado, buscar convergências entre texto e imagem. Pensar de que forma o universo da tradição pictórica serve de arcabouço compositivo para as práticas fotográficas é a proposição para este artigo, por meio de estudos de caso em determinadas obras de Dirnei Prates e Felipe Cama.

O Banquete Barroco

Paula Ramos

Dirnei Prates, em A noite barroca, mergulha, com precisão e poesia, nesse imaginário, estabelecendo diálogo com a tradição instaurada por um dos baluartes da arte seiscentista: Caravaggio (1571–1610). O mestre italiano se consagrou pelas cenas sensuais, violentas, tenebristas e ambivalentes. Introduzindo um realismo não idealizado em suas pinturas, escandalizou públicos em vários tempos, ao tomar como modelos pessoas simples, muitas vezes trapaceiros e prostitutas com quem convivia. E esses protagonistas – à margem da sociedade que consumia aquelas mesmas pinturas –, com suas peles carquilhadas, unhas encardidas e pés imundos, além das vidas maculadas por transgressões de toda ordem, frequentemente encenavam gestos de santos e de mártires da Igreja Católica, num curioso paradoxo.

Arquivo 2.0 Des_memórias Fotográficas

Flavya Mutran

É no silêncio da paisagem difusa e nebulosa de clássicos, ou em fragmentos de jornais locais, que o artista Porto-alegrense Dirnei Prates cria uma minuciosa revisão de suas fotografias memoráveis. Trabalhando desde 2007 com apropriações de filmes antigos, fotografias de livros, jornais e web, o artista procura novos enquadramentos para imagens do universo reprodutível. Na série “Zona de Neutralidade” (2011), Prates reproduz detalhes ínfimos de fotografias de Diane Arbus, Josef Koudelka, Eddie Adams, Max Alpert ou Ian Berry, criando novos enquadramentos para cenas desapercebidas na composição das tomadas originais.

Signos, Arquivos, Narrativas: Fotografias de Flavya Mutran e Dirnei Prates

Marcelo Gobatto

Na série fotográfica Zona de Neutralidade Dirnei Prates trabalha a partir de fotografias históricas, reenquadrando a cena e tornando personagens coadjuvantes o centro da sua composição e da narrativa. No processo de criação desta série Dirnei refotografa em livros sobre fotografia, imagens de Diane Arbus, Max Alpert, Ian Berry, Thurston Hopkins, Josef Koudelka, Sam Shere, Nick Ut e Eddie Adams. Todas elas, imagens emblemáticas e reconhecidas no campo da história da fotografia, tendo sido reiteradamente incluídas sob os rótulos (talvez restritivos) de fotografia artística, fotografia documental ou foto-jornalismo. No entanto, são imagens que fazem parte da cultura do século XX e início do século XXI e que hoje se encontram disponíveis na internet. Imagens que apresentam personagens individuais ou coletivos fotografados a partir de um olhar crítico e atento.

Verdes Complementares

Mario Gioia

As paisagens fotográficas de Dirnei Prates poderiam se entintar de vermelho. Mas as 12 obras agora apresentadas no Palácio das Artes são composições em que o verde sobressai, com algum destaque também estendido ao azul do céu. Vistos agora em escala generosa, são lugares a priori imersos em tranquilidade. Mas, após visadas consecutivas, percebe-se que o fundo, algo granulado, revela uma outra origem. Algo gera ruído no conjunto dos trabalhos.

Paisagens Populares

Paula Ramos

As fotografias estampadas em jornais geralmente evidenciam “a notícia” no primeiro plano. É para ele que o espectador deve olhar; é ali que está o fato jornalístico. Na série Paisagens Populares, Dirnei Prates subverte tal princípio, apropriando-se de imagens veiculadas em jornais e explorando a paisagem que se descortina ao longe, no segundo, no terceiro, no quarto plano da composição.

Duas Hipoteses Para a Arte Contemporânea

Tadeu Chiarelli

Existem várias hipóteses para adentrar o terreno da arte contemporânea. Dentre elas, duas parecem fortes o suficiente para justificar a exposição.Projetar o Passado; Recuperar o Futuro, que apresenta um segmento relevante da produção artística brasileira atual e cuja característica é operar em um universo já distante daquele das artes plásticas (mesmo modernas).

Conjunções de Linguagens Entre a Fotografia e Vídeo

Niura Ribeiro

Passagens, limites, cortes e justaposições são as questões que reverberam entre os trabalhos fotográficos Grandes Acontecimentos, 2011 e Aqui, 2011, de Dirnei Prates. Para o primeiro, o artista captou imagens de orlas do mar veiculadas a partir de um monitor de televisão, formando um conjunto composto por quatro livros de pequenos formatos. Estes são dispostos de modo que, ao manusear as páginas para frente ou para trás, se podem construir diversas justaposições de paisagens panorâmicas, conectadas pela linha do horizonte e pelo intenso cromatismo. É como se o artista criasse várias pausas de uma sequência de diversos fotogramas de um filme.

Entre Águas

Paula Ramos

Entre o estático e o movimento; entre o fixo e a transformação; entre o próximo e o distante; entre a transparência e a opacidade; entre o que se ouve e o que se vê. A preposição entre, com toda sua carga de definição e – sobretudo e paradoxalmente – de oscilação, sinaliza o alargamento das possibilidades sensoriais e interpretativas do conjunto de imagens que Dirnei Prates e Nelton Pellenz apresentam sob o título Salas de Chuva.

Imagens Ressignificadas

Marcelo Gobatto

Imagens de filmes antigos. Clássicos do cinema. Um filme mudo da década de 20. Um melodrama ou uma comédia musical das décadas de 30 e 40, com Gary Cooper ou Carmen Miranda. São pequenos fragmentos de narrativas, seqüências de algum filme que você já deve ter visto, que Dirnei Prates se apropria, toma para si e os transforma, criando novas ficções (suas próprias ficções). Em parte como uma homenagem ao próprio cinema, em parte como um exercício do olhar, que percebe os clichês ali presentes, e os destaca, manipulando as imagens e amplificando algum aspecto dessas narrativas 

Uma Cidade que Passa

Maria Helena Bernardes

As obras participantes da exposição (Lances de Vista: paisagens), de Dirnei Prates e Nelton Pellenz, parecem confirmar a preferência de grande parte dos artistas de hoje em recorrer à fotografia e ao vídeo como meios de expressão.Nas origens da arte contemporânea, essa preferência foi interpretada como uma tendência à ‘desmaterialização da arte’, expressão que, ainda hoje, soa paradoxal, pois como é possível que obras desmaterializadas se apresentem sob a forma de vídeos, performances, instalações e fotografias?

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